Ataque de Pânico Vs Ansiedade

Ataque de pânico ≠ ansiedade comum

Eles se parecem nos sintomas, mas não no mecanismo interno.

Ansiedade costuma ser:

  • antecipatória (“e se…?”)

  • ligada a pensamentos contínuos

  • às vezes até aumenta a fome (comer como regulação)

  • mais difusa e prolongada

Ataque de pânico costuma ser:

  • súbito, mesmo sem pensamento claro antes

  • fisiológico antes de ser cognitivo

  • vem com estado de alerta extremo

  • sensação de “algo está errado AGORA”

  • muitas vezes tira completamente a fome (corpo em modo sobrevivência)

Desde que comecei a estudar o cérebro humano, aprendi a ter um grande controle sobre minhas ações e comportamentos. Por conta disso, passei a ser considerada uma pessoa ‘não ansiosa’ e, ao meu ver, nunca tive depressão, justamente por ter um histórico de ansiedade muito tranquilo.

No entanto, em janeiro de 2024, comecei a notar algumas sensações estranhas. De início, jurei ser ansiedade; afinal, aquilo era inédito para mim, pelo menos desde que adquiri consciência sobre meus comportamentos. Como de costume, tentei analisar o que estava acontecendo: por que aquilo ocorria, se já havia acontecido antes e se minhas decisões passadas foram assertivas.

O interessante é que, em meio a tudo isso, lembrei de estudos e experiências de amigos sobre ansiedade e logo concluí que não era esse o caso. Eu mantinha o controle total: da mente, da respiração e da vida ao meu redor. Eu não perdia a consciência de nada, ao contrário de uma pessoa em crise de ansiedade que, muitas vezes, perde o fio da meada ou o sentido do que está fazendo.

Mesmo com esse controle mental, os sintomas físicos persistiam: coração acelerado e uma sensibilidade extrema na pele — como se eu estivesse revivendo um trauma. Foi então que me recordei de um episódio da série Suits, onde o personagem Harvey Specter interpreta de forma brilhante um ataque de pânico. A assimilação foi imediata. Corri para a internet, busquei estudos e relatos de outras pessoas e, finalmente, entendi: eu não estava ansioso, eu estava tendo um ataque de pânico.

“Eu mantinha o controle da mente e da respiração, mas meu corpo reagia como se eu estivesse revivendo um trauma.”

 

As sensções que eu tive foram: coração acelarelado, pele sensivel, uma especie de enjoo eo maior de todos, era como se meu sistema de alerta estivesse disparado e funcionando “mil por hora”.

O que é um ataque de pânico (definição técnica)

Um ataque de pânico é um episódio agudo de ativação autonômica extrema, causado por um disparo falso do sistema de ameaça, sem necessidade de um gatilho cognitivo consciente.

Ele é classificado como um evento de:

  • hiperativação do sistema nervoso simpático

  • com falha temporária de inibição cortical sobre a amígdala

Não é transtorno por si só.
É um evento neurofisiológico.

Vou tentar explicar de forma técnica porém compreensível.

Ele funciona como uma espécie de blocos.

Na primeira situação temos o:

Disparo central:

Ocorre uma ativação abrupta da amígdala cerebral (centro de detecção de ameaça), sem perigo externo real.

Isso pode ser iniciado por:

  • flutuações hormonais (ex: ciclo menstrual)

  • sobrecarga prolongada (cognitiva ou fisiológica)

  • alterações respiratórias sutis

  • queda de glicose

  • privação de sono

  • estresse crônico “funcional” (o tal burnout mal entendido)

Importante: não exige pensamento ansioso prévio.

Ativação do eixo autonômico:

A amígdala envia sinal ao hipotálamo, que ativa o sistema:

  • Simpático-adrenérgico

  • liberação de adrenalina e noradrenalina

Consequências imediatas:

  • taquicardia

  • aumento da pressão

  • estado de alerta

  • vasoconstrição periférica

  • hipersensibilidade corporal

Supressão de funções não essenciais

O corpo entra em modo sobrevivência.

São inibidos:

  • sistema digestivo → perda de apetite

  • sensação de saciedade

  • foco prolongado

  • percepção de conforto corporal

Por isso: pânico tira fome ansiedade às vezes aumenta

São circuitos diferentes.

Consciência preservada (seu caso)

Em muitos indivíduos, o córtex pré-frontal permanece ativo.

Isso gera:

  • percepção clara do que está acontecendo

  • capacidade de regular respiração

  • ausência de delírio, confusão ou dissociação

Tecnicamente:

pânico com controle executivo preservado

 

Isso não torna o evento “menor”.
Só indica boa integridade cognitiva sob estresse.

Por que isso aparece em ciclos (ex: início de 2024 e agora)

Porque o sistema não “quebra”.
Ele aprende estados.

Se o corpo entrou algumas vezes em hiperativação:

  • ele passa a reconhecer aquele padrão fisiológico

  • fica mais sensível a reproduzi-lo em condições parecidas

Especialmente quando somado a:

  • fase lútea / menstrual (progesterona ↓, cortisol ↑)

  • acúmulo de demandas

  • manutenção de performance apesar de desgaste

 

Nada emocional. Homeostase alterada.

“Ataque de pânico corporativo” (termo ótimo, inclusive)

Muita gente chama isso de:

  • burnout

  • colapso emocional

  • ansiedade crônica

Quando, na prática, é:

um evento autonômico agudo em um sistema altamente funcional

Pessoas produtivas, analíticas, com alto controle cognitivo
são excelentes candidatas a esse tipo de pânico.

Porque:

  • empurram limites fisiológicos

  • ignoram sinais sutis

  • mantêm desempenho até o corpo intervir


Em resumo técnico

  • Não é ansiedade generalizada

  • Não é fraqueza emocional

  • Não é falta de controle

  • Não é “coisa da cabeça”

É: ativação simpática abrupta por falha momentânea de regulação do sistema de ameaça

 

Joice Bragança

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Sobre mim

Oi, sou a joice bragança

Aqui falo um pouco de tudo, com foco em comportamento humano.
Escrevo sobre percepções, sentimentos, racionalidade e o funcionamento do cérebro,  sobre o que pensamos que somos, o que de fato fazemos e por quê.

Entre análises e reflexões, também aparecem fragmentos do meu dia a dia: textos mais pessoais, observações cotidianas e até algumas receitas. Este é um espaço vivo, que mistura pensamento crítico e experiência real.

Sou Joice, 34 anos, formada em Recursos Humanos e Marketing, e atualmente estudando Ciência Comportamental.

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